Canaã dos Carajás: Confusão que terminou em morte pode ter começado por ciúme

Uma pessoa morta e outras duas feridas foi o saldo da festa de Réveillon promovida pela Prefeitura Municipal de Canaã dos Carajás entre a noite de terça (31) e a madrugada de quarta (1º). Disparos de arma de fogo foram efetuados após desentendimento entre um homem e um grupo de pessoas. A Polícia Civil acredita que tudo começou por ciúme.

Em entrevista ao Correio de Carajás, o delegado Fernando da Silva Oliveira, responsável pelo caso, informou que até o momento o principal suspeito de ter efetuado os tiros não se apresentou e provavelmente será requerida a prisão preventiva dele. Não foi divulgado o nome do homem.

O morto, Jeovane Batista Belém, de 21 anos, era natural do Maranhão e havia se mudado para Canaã, onde trabalhava em uma mineradora. Uma das pessoas baleadas é Thaís Silva Félix e a Polícia Civil investiga se ela era companheira do autor do crime. O outro ferido é Eduardo dos Santos Machado, provavelmente vítima de uma bala perdida. “Esse parece que nada teve a ver com a confusão, foi vítima de disparos efetuados na multidão”, explicou o delegado.

A autoridade policial afirma que as informações preliminares coletadas pela equipe de investigação apontam que o autor do homicídio estava acompanhado de Thais quando outro homem teria assediado a mulher. “Ainda não sabemos se foi o Jeovane, que é a vítima fatal, ou outras pessoas que estavam acompanhando ele, era um grupo de quatro a cinco pessoas”, disse.

O atirador então teria iniciado uma discussão e chegado a atirar uma lata de cerveja no grupo. “A Thais tentou conter o autor e enquanto isso o grupo também tentava apaziguar, mas ele sacou a arma e efetuou quatro disparos. Ele alvejou o Jeovane com três disparos, o último na nuca, demonstrando que realmente queria matar ele”, observou o delegado.

Fernando Oliveira preferiu não divulgar o nome do suspeito, mas informou que ele deverá ser indiciado pelo homicídio e pelas duas tentativas de homicídio. “Até então ele não foi encontrado, não sabemos o paradeiro e se ele não se apresentar iremos solicitar a prisão preventiva”, finalizou.

DEPOIMENTOS

A banda Os Barões da Pisadinha estava em palco quando o crime aconteceu, cerca de meia hora após a contagem regressiva da virada de ano. Os disparos foram efetuados a cerca de 25 metros de onde acontecia o show. Jeovane morreu ainda no local do crime e o corpo foi levado para o Instituto Médico Legal de Parauapebas, cidade vizinha.

Os sobreviventes foram encaminhados para o Hospital Municipal de Canaã, onde a Reportagem conseguiu conversar com Thais, que está com um projétil alojado no pescoço. “Eu só me lembro que eu estava filmando os cantores e senti um choque. Na hora eu caí”, relata, informando que em seguida viu várias pessoas correndo desesperadas. “Me lembro de um rapaz, botou um pano aqui em cima (do ferimento)”, diz, enquanto ouvia pessoas gritando para que alguém chamasse uma ambulância. Ela não mencionou se conhecia o atirador ou as demais vítimas.

A mãe de Thais, Fabiana Conceição Silva, fala sobre o desespero de receber a notícia. “Eu perdi o chão, eu não me senti mais na terra, o desespero é muito grande. O que eu aconselho, apesar da desobediência dos filhos, é que orem pelos seus filhos todas as noites ao deitar, ao levantar, entregar nas mãos do Senhor que era o que eu estava fazendo meia-noite”.

Eduardo, por sua vez, foi pego de surpresa. “Foi uma briga, começou jogando bebidas. No momento que eles jogaram bebidas começou a briga. Eu estava comprando uma bebida pra mim e nesse momento ouvi os disparos. Quando eu peguei minha bebida e girei um dos disparos me acertou”, relata.

A mãe dele também não sabia o que fazer quando soube que o filho havia sido baleado. “Pô, meu filho morreu, né? Pensei nisso, uma bala perdida! No hospital comecei a chorar desesperada”, relata. A vítima ficou com um projétil alojado bem próximo da coluna. “Nasci de novo como os médicos falaram”, reconhece.

A festa foi interrompida após o ocorrido. Em nota, a prefeitura lamentou o incidente e reforçou que a Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, segurança particular e ambulância da rede municipal de Saúde estavam no local e cumpriam os deveres. “Para garantir a segurança de todos os presentes, o show foi interrompido. As autoridades policiais já estão investigando o crime”, posicionou-se. (Luciana Marschall, Ronaldo Modesto e Nyelsen Martins)

Fonte: Correio de Carajás e TV Correio Canaã

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