Jatene abandonou Santarém e Marabá

Duas das principais cidades do Pará, Santarém e Marabá, foram completamente ignoradas pelo governador Simão Jatene nos últimos anos. Moradores das duas cidades e municípios próximos denunciaram à reportagem do DIÁRIO o mais absoluto estado de abandono em obras que seriam importantes para melhorar a qualidade de vida da população, além de alavancar o turismo e gerar empregos.

Há 4 anos, o governador foi a Santarém em pleno período eleitoral para anunciar três obras importantes na cidade. Duas delas iriam beneficiar as principais escolas de Santarém, a Escola Estadual Felisberto Jaguar Sussuarana e a Plácido de Castro. Em ambas, Jatene prometeu construir quadras poliesportivas cobertas.

Passados quatro anos, nada aconteceu. As obras começaram, mas pararam logo no início, revoltando a comunidade estudantil. A Felisberto Jaguar fica no centro de Santarém. As obras custariam R$ 267 mil, com aporte do Ministério da Educação. Mas a verba liberada não garantiu a nova quadra.Hoje, o mato toma conta do espaço. Os alunos praticam as atividades físicas em uma praça pública.

“O governador veio conosco dizendo que ia fazer algo melhor pros nossos estudantes. Ficamos felizes, mas os 90 dias que iriam durar a obra estão durando mais de 4 anos. É um descaso total, uma falta de respeito. Os pais desses alunos pagam impostos e quando querem o retorno é isso que está aí”, desabafou Vanderlei Garcia, diretor da escola.

Na escola Plácido de Castro, a mesma situação. Jatene prometeu construir uma quadra coberta e com arquibancada, mas não cumpriu a promessa. O piso foi colocado e parte de uma arquibancada também. Só isso. “É muito triste, nós queremos um conforto para praticar nossas atividades físicas e o Governo do Estado tem esse dever. O governador virou as costas para a educação”, desabafou uma estudante, que não quis se identificar, em reportagem à RBA TV.

Na Felisberto jaguar, em Santarém, nada da quadra prometida. (Foto: reprodução/RBATV)

ESTRADAS E CENTRO

O descaso do Governo se estende também a outras áreas na cidade. Uma obra milionária seria entregue por Jatene sem estar concluída, a exemplo do que tem feito em outros locais, como na avenida João Paulo II em Belém, quando o tucano inaugurou 4 quilômetros de uma via sem passarelas e incompleta. A placa em um dos trechos da rodovia estadual Everaldo Martins, a PA-457, que dá acesso à Vila de Alter do Chão, previa a pavimentação de acostamentos, com implantação de ciclovia e iluminação pública. Os serviços foram iniciados em setembro de 2017 e seriam finalizados em março deste ano. Mas o prazo foi retardado. Jatene prometeu entregar às vésperas do segundo turno.

Contudo a obra, agora com caráter eleitoreiro, seria inaugurada incompleta. A reportagem da RBA TV de Santarém percorreu os 28 quilômetros da rodovia e constatou que apenas a via foi pavimentada, mas sem oferecer segurança aos ciclistas e pedestres. Simplesmente não há ciclovias e acostamentos. A empresa responsável pela obra embolsou mais de R$ 11 milhões.

Os santarenos também aguardam até hoje a construção do prometido Centro de Convenções, que seria importante para turbinar o turismo e movimentar a economia da região. Em 2014, Jatene lançou a promessa aos moradores de que faria um novo “Hangar Centro de Convenções”, similar ao que há em Belém, mas tudo não passou de mais um canto da sereia.

A prefeitura de Santarém doou o terreno ao Estado na área entre o aeroporto e o centro, mas até agora só existe o mato no local. Sequer Jatene lançou uma pedra fundamental para criar alguma outra falsa ilusão.

Teto da Escola Gaspar Viana, em Marabá, desabou. (Foto: reprodução/RBATV)

Escolas funcionam em condições precárias em Marabá

O retrato do abandono das escolas de ensino médio em Marabá, às vésperas de mais um Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), no sudeste paraense, é simbolizado pela escola “Dr. Gaspar Vianna”, na Folha 16. No dia 19 de maio de 2018, o telhado da biblioteca desabou completamente. Felizmente, não houve vítimas, já que professores e estudantes já haviam notado os problemas estruturais na escola e chamaram o Corpo de Bombeiros, que interditou o prédio apenas um dia antes do desabamento.

O professor de História da escola, Marcos Leal, disse que desde o ano passado, quando foi implantado o ensino integral na escola, que os pais e alunos deixaram bem claro à Secretaria Estadual de Educação (Seduc) que a escola não tem infraestrutura adequada. “Nós não temos banheiros adequados, a instalação elétrica é precária, os aparelhos vivem queimando. Há rachadura nas salas, o telhado está desabando”, denuncia.

A estudante Byanca Mon-Serrá disse que os alunos correm risco de vida na Escola Gaspar Vianna. “É capaz de tudo cair, porque a estrutura da biblioteca que desabou é a mesma do restante da escola”, alerta. Devido à gravidade da situação, nada da biblioteca pôde ser retirado, como mesas, cadeiras e um acervo de livros, que ficaram sob os escombros. Em nota, a Seduc informou que a escola é uma das quatro localizadas no município, com projeto de reforma em andamento.

Outro prédio abandonado pelo governo Jatene é anexo da Escola Estadual O Pequeno Príncipe, também na Nova Marabá. Entre os problemas apontados pelos alunos estão: salas superlotadas; falta de ventilação e bebedouros quebrados. Em setembro os estudantes fizeram um protesto por não aguentar mais a situação.

O estudante Rodrigo Silva afirma que não tem como fazer melhorias no prédio do anexo, porque o local não tem infraestrutura para receber os alunos. “A sala é muito pequena e não tem condições de receber 30 alunos, além disso, é muito calor, os ventiladores não prestam, porque estão quebrados, a água é quente. Então, a gente está reivindicando para mudar de prédio”, disse. O vice-diretor da escola, Sidney Silva, informou que só falta a instalação dos ventiladores e dos quadros para que as aulas possam iniciar no novo prédio, localizado na Folha 26. Na escola estudam 420 alunos, divididos em dois turnos.

Prédio do IML está abandonado há anos

Uma das obras inacabadas e abandonadas em Marabá no sudeste paraense é a do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, que está sendo construído no núcleo São Félix. A obra, iniciada ainda no governo Ana Júlia, está orçada em cerca de R$ 1,2 milhão. A construção está paralisada e já foi tomada pelo mato, servindo de abrigo para usuários de drogas e animais. De acordo com o Governo do Estado, o prédio iria atender às demandas de perícia científica do Instituto Médico Legal (IML) à população de Marabá e de mais quarenta municípios.

Assim está o prédio onde seria o novo IML de Marabá. Inacabado e coberto de mato. (Foto: reproduçao/RBATV)

De acordo com o diretor da Câmara Setorial do Comércio do bairro São Félix, Márcio Gonçalves, o espaço é uma ameaça. “Hoje, essa obra representa uma ameaça para nós. Há usuários de drogas morando lá dentro, portais do prédio foram arrancados por vândalos”, denuncia Gonçalves.

Devido ao abandono, a Câmara Setorial do Comércio de São Félix e Morada Nova (Cassfemn) solicitou à Secretaria de Segurança Pública do Estado que instalasse, no prédio, uma Unidade Integrada Pró Paz (Uipp), para atender o bairro, que tem crescimento congelado por falta de segurança. “Entreguei esse ofício, em mãos, ao próprio governador Simão Jatene. Até agora, não deram retorno”, diz Gonçalves.

Uma reunião intermediada pelo Centro de Apoio Operacional Criminal e requisitada pela Promotoria de Justiça de Marabá tratou em 2016 das condições de funcionamento do Centro de Perícias Científicas e do Instituto Médico Legal que funciona provisoriamente na Nova Marabá. Um procedimento administrativo foi instaurado pela Promotoria de Justiça de Marabá em razão de inúmeros relatos e de informações de que o Centro de Perícia Renato Chaves estaria funcionando em condições precárias no município. Foi detectado durante a instrução do procedimento a urgente necessidade de aumentar o número de servidores. Em relação à estrutura física conclui-se que o prédio atual é inviável para a realização das atividades inerentes ao Centro de Perícias Científicas, pois o espaço é insuficiente para acomodação de funcionários, mobiliário e equipamentos.

Fonte: DOL

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