Um terço dos paraenses estão no mercado de trabalho informal

Pesquisa do Dieese mostra que 35,6% dos ocupados no trimestre passado no Estado eram informais

Entre as pessoas ocupadas no mercado de trabalho paraense no segundo trimestre deste ano, entre abril e junho, 35,6% eram informais, ou seja, atuavam por conta própria, somando 1,2 milhões de trabalhadores. Já o total de pessoas ocupadas foi de 3,41 milhões no período, número que representou uma elevação de 0,3% em relação ao primeiro trimestre do ano, que fechou com 3,40 milhões de trabalhadores locais no mercado. Os dados são do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA), com base nas informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE).

No cenário nacional, o movimento é parecido. Uma pesquisa do mesmo instituto mostrou que, há pelo menos dois anos, mais de 3 milhões de brasileiros estão procurando emprego. Esse universo representa 26,2%, cerca de um em cada quatro, dos desempregados no país no segundo trimestre deste ano. Na avaliação do economista Pablo Reis Damasceno, isso ocorre porque o Brasil passa por uma conjuntura econômica desfavorável, e uma parcela dos trabalhadores que não conseguem vaga no mercado formal de trabalho tende a procurar outras formas de ocupação e fonte de renda.

Não à toa, o número de pessoas que trabalham por conta própria cresceu em todo o território nacional. Segundo dados do IBGE, os chamados freelancers já são mais de 23 milhões de pessoas, um aumento de 1,2% se comparado com o trimestre anterior. Segundo Damasceno, o comportamento é prejudicial, especialmente em curto prazo, porque a contribuição diminui, e o governo deixa de arrecadar impostos das empresas e também dos empregados. “O primeiro impacto não é interessante, gera preocupação. Por outro lado, há o surgimento do empreendedorismo, que também movimenta a economia de alguma forma, seja com o autônomo pagando sua aposentaria ou pela movimentação e pagamento de impostos, que, mesmo menores, geram contribuição e, consequentemente, arrecadação por parte do governo”, comentou o economista.

Ainda de acordo com ele, o ideal é que os trabalhadores que atuam como autônomos deixem a informalidade com o tempo. Isso pode ocorrer quando ele se torna um microempreendedor individual (MEI) ou quando cria uma startup, por exemplo. “Quando isso ocorre é benéfico. Aqui no Pará, o setor de serviços e comércio é um dos que mais movimentam a economia, dependemos desses empregos para gerar renda também. Então existe um grande impacto com esse cenário, principalmente na capital. A formalidade é positiva porque, com ela, são criadas mais parcerias e mais contratos”, destacou Damasceno.

Entre os motivos para que cresça o número de autônomos é a busca por aumento da renda, desfrutar de horários flexíveis ou desenvolver um segundo plano para a carreira. É o caso da autônoma Melina Pimentel, de 25 anos, que hoje atua no comércio varejista de roupas femininas. Segundo ela, o negócio começou em um ato de desapego de suas próprias peças de vestuário. Ela criou uma conta em uma rede social para divulgar as roupas que queria vender e, aos poucos, a ideia foi crescendo.

“Comecei a ganhar muitos clientes, que gostavam do que eu vendia, mas era só pela internet. O primeiro local físico foi na garagem dos meus avós, e depois disso estive em mais dois lugares. Sempre percebi minha vocação para o comércio. Antes eu fazia cursinho para passar em medicina, tentei durante muitos anos, mas, como o negócio começou a crescer, deixei os estudos de lado. Já trabalho com isso há 6 anos”, contou.

Para Melina, a maior dificuldade é se manter no mercado por conta da crise, assim como a falta de financiamento com taxas diferenciadas para pequenos empreendedores. “Vejo muitas empresas falindo. Acho que continuo no mercado porque tenho meu diferencial, busco sempre me atualizar, seguir as tendências, me adaptar ao momento e seguir o padrão das clientes que já conquistei”, comentou. Desde que criou a loja, as vendas já cresceram cerca de 50% e a autônoma já consegue sustentar a família com a renda.

Um relatório da empresa Freelancer.com, que mapeia o movimento trimestral das categorias profissionais que mais crescem e das que mais diminuem no mercado, apontou que o atendimento ao cliente foi o grande vencedor no trimestre com a demanda crescendo 54,78% neste período – de 1.913 para 2.961. Outras funções que se destacaram foram transcrição, contabilidade, escrita acadêmica, processamento de dados, desenvolvimento de aplicativos, análise estatística, machine learning, espanhol, algoritmo e assistência virtual. Trabalhos relacionados a estatística e matemática ficaram em ascensão no trimestre, juntamente com engenharia mecânica.

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